terça-feira, 28 de julho de 2015

Afã



Ela andava tão cansada que não se via mais fazendo as coisas que queria fazer, nem as coisas que devia fazer, nem as coisas que precisavam ser feitas. Do que estava cansada? Ela não sabia. Talvez fosse a vida, talvez fosse a forma como tudo acontecia, nunca como planejado. Talvez ela fosse o problema mesmo. Sentia-se presa, e sua prisão era ela mesma. Como seria liberta? Como ser livre quando a prisão a mantinha viva? Outra coisa que a perturbava e aprisionava era como não conseguia terminar nada do que começava, sua mente era uma constante bagunça. A verdade é que ela nem sabia se queria se livrar daquilo tudo, por quê o costume é muito confortável, mesmo quando é um costume incômodo. Em algumas manhãs ela acordava querendo ser outra pessoa, mas essa sensação passava quando se lembrava todo o esforço que teria que fazer pra sair do buraco em que tinha entrado sozinha. Estava com força de menos ou preguiça demais? Será que algum dia já teve força ou será que de repente ela tinha esquecido do que forneceu força todo o tempo pra ela? Era mesmo possível esquecer? se tivesse se esquecido, devia se sentir mal? É, as coisas estavam confusas de novo. Imaginou-se deixando o mundo em modo de espera e fechou os olhos pra dormir, aquele dia já havia recebido mais perguntas do que podia suportar.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Imperfeita



Ela gostava de ter cabelos longos, mas não gostava dos cabelos longos dela, que nunca se decidiam entre liso e ondulado. Eram castanhos e tinham um rastro loiro do lado esquerdo de quem via. Seus olhos eram igualmente marrons, de genótipo heterozigoto: Por pouco não herdou os olhos verdes da mãe, que tanto queria. Era alta se comparada as amigas, mas sempre a pequena do namorado. Seu IMC dizia que ela era obesa, mas as pessoas gostavam de dizer que ela era fofinha, e ela também preferia se enxergar assim. Escondia o rosto cheio atrás dos cabelos que cobriam as bochechas rosadas, envergonhada de ter vergonha de ser imperfeita por saber que todos o são. Pelo menos ela não usava máscaras.

Esse post faz parte de uma série de posts chamada "642 coisas sobre as quais escrever", sendo o primeiro item da lista (Descreva a sua aparência física na terceira pessoa, como se você fosse uma personagem de livro). Espero que gostem ;*

sábado, 4 de julho de 2015

Deeper

O Universo e você


Quando estou fria por dentro,
Você é quente e brilhante,
Você sabe que é tão bom para mim
Com seus olhos de criança,
Você é mais do que parece,
Você vê no espaço...
Eu vejo no seu rosto...
Os lugares que você foi...
As coisas que você aprendeu...
Elas combinam com você de um jeito tão bonito.


Outro lado do mundo


Sobre o oceano e muito além
Ela está esperando como um iceberg
Esperando para mudar
Mas ela é fria por dentro
Ela quer ser como a água


Mar Silencioso


Ventos estão jogando ondas para cima
Como arranha-céus
E quanto mais forte elas me atingem
Menos eu aparento me machucar


Sentir isso tudo


Estou olhando para o céu
E estarei escutando as estrelas
E talvez pensando em você
Imaginando onde você está
Você sabe o que você fez para mim
Você fez meus galhos crescerem
Agora eles podem brincar com o vento
E eles podem carregar a neve



Perdida


Mas com o recuar da maré
Eu consigo ver a costa
É perigoso ir mais fundo
Mas eu não posso mais ficar aqui
Não posso mais ficar aqui


Debaixo do temporal


E é simplesmente um temporal irracional
Não posso nem mesmo ouvir meus pensamentos
Constantemente tirando água do barco
Mas ainda parece que vou afundar


Mudança


E se eu mudar, estarei contradizendo o que eu falei?
Se eu permanecer o mesmo, estarei criando maiores problemas?
Você já pensou sobre o que tem pensado?
Você ainda acredita que precisamos dar um jeito?
Importa agora, todas aquelas coisas que nós dissemos?


A beleza da incerteza


A noite é uma víbora
Escondida na grama
Ela morde como se sua vida dependesse disso
E espera pra ver o quanto você dura

(Trechos extraídos de músicas da cantora KT Tunstall)