E agora, quem será?
Depois de tantas... Por que não ela?
Ela que em palavras (escritas, jamais ditas)
Se derramava, se dava inteira.
Aparências que tanto importam,
Pra que á servem?
Pois se a beleza está nos “olhos-janelas-da-alma”
Ela os abrirá umas para as outras, e fechará para todo o resto.
E assim as comadres almas se debruçarão nos parapeitos
Para conversar um pouco mais.
Até que se calem,
E só as janelas conversem no seu dialeto intraduzível.
As comadres almas sorrirão,
E num despertar imprevisível,
Suas raízes falantes se encontrarão, sob o solo,
Num protesto de existência.
E num laço imensurávelmente forte,
Explosões interiores fecharão as janelas,
Enquanto as comadres almas suspirarão, apaixonadas.
Até que as janelas se abram novamente,
E encarando o vazio do teto,
Percebam que tudo não passou de um sonho.
Percebam que a comadre alma é só mais uma boba,
Cega pelo amor que a mata aos poucos.
E a destinada á isso tudo (que não ela)
Será alguém com bem menos á dar,
Alguém que não sabe sonhar, como comadre alma sonha.
Porém com raízes que falam,
Falam coisas que as janelas da comadre alma
Já não podem falar em seu dialeto intraduzível.