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terça-feira, 24 de maio de 2016

Ela pela Janela: Era mais do que parecia


Em meio aos outros, sentia-se num deserto. Gostava de sorrisos, gostava de vozes, gostava de abraços, mas não trocaria seus momentos de paz por nenhuma dessas coisas. A chuva do lado de fora empalidecia as luzes do mundo, mas do lado de dentro ela estava acesa como todas as palavras que aqueciam seu coração. Parecia triste, mas não estava. Parecia vazia, mas transbordava. Parecia sozinha, mas era mais do que parecia.

(Ariel Almeida)

domingo, 22 de maio de 2016

Desenfurno



Gosto de viver apegada a uma subjetividade que me deixa confortável, que me abraça e aceita tudo que eu digo, mas nesses dias desenfurnei. Não que tenha resolvido fazer isso de bom grado, na verdade aconteceu sem aviso prévio a mim mesma. As coisas agora parecem muito mais físicas, existentes, materiais, palpáveis, e não consigo me decidir se isso é bom ou se está me matando. Eu sempre reclamei à meus botões que não tinha um bom controle da minha vida, que sentia ela escorrer pra longe sem que eu pudesse fazer nada, mas agora que eu sei exatamente o que tenho sido, não pareço tão feliz quanto pensava que estaria. Não sei se você pode entender e acho que não, mas já parou pra pensar em como sempre estamos insatisfeitos com o que a gente tem? Sempre dispostos a dizer que a vida é uma merda, sempre ansiosos em diagnosticar algo em nós mesmos e nos outros pra nos agarrarmos a rótulos que nos deem uma falsa sensação de segurança quando a verdade é que a segurança não há, nunca houve. O que há é essa nossa loucura de não saber amar sem dominar, sem dizer a hora de voltar, sem precisar transformar tudo em objeto. Vivemos no medo e nos alimentamos dele, não sabemos fazer de outra forma por que temos medo de tentar, e quanto mais esclarecido você se acha, mais medo você produz e consome. Acho que foi por isso que desenfurnei... Ou será que sempre fui desenfurnada?

domingo, 10 de abril de 2011

Comadre Alma





E agora, quem será?
Depois de tantas... Por que não ela?
Ela que em palavras (escritas, jamais ditas)
Se derramava, se dava inteira.

Aparências que tanto importam,
Pra que á servem?
Pois se a beleza está nos “olhos-janelas-da-alma”
Ela os abrirá umas para as outras, e fechará para todo o resto.
E assim as comadres almas se debruçarão nos parapeitos
Para conversar um pouco mais.

Até que se calem,
E só as janelas conversem no seu dialeto intraduzível.
As comadres almas sorrirão,
E num despertar imprevisível,
Suas raízes falantes se encontrarão, sob o solo,
Num protesto de existência.

E num laço imensurávelmente forte,
Explosões interiores fecharão as janelas,
Enquanto as comadres almas suspirarão, apaixonadas.

Até que as janelas se abram novamente,
E encarando o vazio do teto,
Percebam que tudo não passou de um sonho.
Percebam que a comadre alma é só mais uma boba,
Cega pelo amor que a mata aos poucos.

E a destinada á isso tudo (que não ela)
Será alguém com bem menos á dar,
Alguém que não sabe sonhar, como comadre alma sonha.
Porém com raízes que falam,
Falam coisas que as janelas da comadre alma
Já não podem falar em seu dialeto intraduzível.