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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Não se chamava Bullying





Eu procurei você, e você estava tão diferente... Falava de empatia, de abraçar o mundo inteiro, de defender os fracos e oprimidos. Não parecia a mesma pessoa que me machucou por anos seguidos sem que eu te fizesse nada ou oferecesse alguma ameaça, parecia a pessoa boa que sempre me disseram que você era, e eu quis acreditar que era verdade, que você finalmente tinha aniquilado aquele lado seu que me marcou de um jeito tão negativo. Sim, você era só uma criança quando o alvo era eu, mas já tinha suas noções de certo e errado quando te vi outra vez sendo cruel com pessoas que não mereciam crueldade. Muito além de ferir os outros, você contaminava suas amizades, elas absorviam aquela sua maldade, eu vi! Eu vi acontecer e vi elas se tornarem pessoas boas longe de você. Eu era louca? Só eu via aquilo acontecer? Você sempre teve esse jeito que conquista os outros, se era você não era possível ser algo ruim. Por muito tempo achei mesmo que o problema estava em mim, que eu de alguma forma merecia que você tirasse tudo que eu tinha. Eu tentei jogar o teu jogo quando apanhei o suficiente pra saber me defender, mas aquilo nunca me vestiu bem. Não importava o quanto eu tentasse, era impossível pra mim sentir o prazer que você sentia naquilo. Hoje somos pessoas adultas, e mesmo olhando pra trás e te vendo pequena, pestinha, algo que hoje eu me livraria como me livro de um mosquito zunindo no ouvido, ainda dói. Fizemos parte de um sistema que hoje eu vejo se repetir e posso explicar. Uma criança viciada em poder e outra mais fraca, alvo fácil pra o exercício de dominação. Não se engane, não tenha pena de mim, não pense que isso me vem a memória com frequência. Eu já estive muito pior, das amarras que você pôs em mim quando eu era mais nova só restam as cicatrizes, poucas sequelas. Isso esteve, de certa forma, como uma bala alojada no corpo. O buraco fechou, mas ela estava ali, impedindo de sarar por completo... Este texto é minha cirurgia de remoção. Nas memórias da minha infância vai estar a cicatriz, mas lembrar não vai mais doer. Ainda não te culpo, mas já não me culpo também. Não é culpa de ninguém, foi como tinha que ser, por acaso. o acaso me fez um favor, me mostrou os dois lados da face humana na tua face antes mesmo que eu pudesse entender que essa tua imagem se refletia no mundo inteiro e até em mim. Por conta disso eu já era adulta quando criança, como eu vejo agora que você também era. E vendo isso eu não resisto em me perguntar o por quê. Eu quero abraçar aquela criança que era você, entender o que te fazia ser daquele jeito. E você? Eu procurei você e você parecia diferente. Será que você abraçaria a criança que fui eu e diria que tudo ficaria bem?

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ela estava dentro do meu olho, e ela queria falar


AVISO: Este texto não foi feito para uma leitura superficial, nem tampouco é um texto como qualquer outro neste blog. Merece especial interpretação.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Ela pela Janela: Era mais do que parecia


Em meio aos outros, sentia-se num deserto. Gostava de sorrisos, gostava de vozes, gostava de abraços, mas não trocaria seus momentos de paz por nenhuma dessas coisas. A chuva do lado de fora empalidecia as luzes do mundo, mas do lado de dentro ela estava acesa como todas as palavras que aqueciam seu coração. Parecia triste, mas não estava. Parecia vazia, mas transbordava. Parecia sozinha, mas era mais do que parecia.

(Ariel Almeida)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

As coisas que eu aprendi com ele



Eu só quero estar com ele, por quê pensar nele faz com que eu sinta cada célula do meu corpo um pouco mais viva. Mais do que a música, mais do que a escrita, mais do que meu prato favorito, mais do que um bom livro, ele faz o mundo parecer mais colorido, faz com que levantar da cama valha a pena. Quero dizer, em quantas manhãs eu já quis apressar o tempo pra ver o final feliz, acordar com os olhos dele abertos, me encarando dormir... Eu sei, eu não posso ver o futuro, sei que posso acabar tropeçando nos meus próprios passos e a probabilidade diz que é muito provável que eu tropece, mas e daí? Será que sonhar não valeu a pena? Foi mesmo com ele que eu aprendi isso, e talvez tenha sido eu quem contribuiu pra que ele pensasse diferente hoje. Mas e se eu der um passo pra trás? Nem sempre um passo pra trás é regresso, as vezes é progresso e também foi ele que me ensinou isso. Não que não tenha doído e que não esteja doendo até agora, todo esse aprendizado, mas é assim que são as tatuagens, elas doem pra ser feitas e doem pra cicatrizar, mas cicatrizam e ficam pra sempre, a não ser que não seja pra ficar, e isso a gente só sabe depois. De um jeito ou de outro de alguma forma e por algum tempo a tatuagem serviu. Mas tatuagens? Sim, tatuagens da vida. A gente tatua muitas coisas na vida, algumas intencionalmente, umas contra vontade, mas no fim toda essa marcação serve pra você ser quem você foi predestinado a ser, e ter a vida que você foi predestinado a ter. Com as tatuagens você aprende muito, e com ele consegui mais tatuagens do que o tempo podia permitir. Tatoo demais pra tempo demais, e as vezes isso me deixa louca. Vivemos intensamente, doemos intensamente, superamos intensamente, nem sempre na mesma dose, mas vamos lá, isso não é ruim. O equilíbrio sempre foi meu corrimão, minha segurança, mas a vida não é sobre equilíbrio sempre. A vida é mais sobre não estar no controle, e as vezes é isso que faz ela melhor do que esperamos quando não esperamos mais.

sábado, 13 de junho de 2015

Só mais um pouco





Apertou os olhos, enrugando o rosto. Não queria chorar. A vida andava difícil, mas suas lágrimas eram preciosas demais pra desperdiçar com poucas coisas. Na verdade nem eram poucas, mas preferia pensar que eram. Um dia de cada vez. Inspira, 1 segundo, 2 litros, 3 metros, 4 quilos, expira. Não conhecia o ser do outro lado do espelho, mas não era o fim do mundo, certo? Não conseguia conter os próprios impulsos, mas ainda havia amanhã, não era? Levava os problemas do mundo inteiro nas costas, mas se até agora pôde sobreviver, sobreviveria mais um pouco. Deus não a desamparou em momento algum. Desampararam-lhe os livros, as maquiagens, a paciência, mas Deus não. Deus continuava a lhe dizer: Só mais um pouco.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Mais um velho poema




Mordo o lápis ao acaso. 
Cruzo as linhas, monto laço. 
Traço o traço, traço á traço, 
Dou o melhor de mim. 

Pra quê entender os poemas amargurados, 
Se nem a bomba de Hiroshima
Supera, na dor de nossos calos?

Nada funciona, ao acaso.
Sem sentido, monto o laço.
Analiso, traço a traço...
Se nem a morte é o fim

Pingam os pingos, deslumbrados
Com o imóvel mausoléu lustrado
Pelas lágrimas sobre seu marfim.

By Ariel Almeida







(Meio desconexo, mas eu gostei. Achei nos CDs antigos. Se não me falha a memória, me inspirei em poemas do Mario Quintana ♥)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Complô



Meu quarto estava completamente revirado e minhas costas doiam. Portas abertas, amontoado de panos sobre a cama acompanhados de alguns papéis e meu mais novo pacote de absorventes. Minha escrivaninha, também com algumas roupas, sussurrava pra mim enquanto eu mexia em seus cadernos: "Obvio demais, obvio demais". Eu já estava acostumada a perder as coisas. Não fazia muito tempo desde que eu tinha perdido as aspas no teclado do meu tablet disfarçado de netbook, que á essa altura tentava me acalmar com a trilha sonora de algum desenho japonês do qual não me recordo o nome agora. a pagina pouco usada do editor de textos ainda me encarava e desafiava a escrever qualquer coisa que não se tratasse de um romance barato. Ai minhas costas! Se período menstrual tivesse gerações eu as amaldiçoaria naquele instante. Nada legal diante da postura que eu me obrigava a tomar, mas é mesmo incrível a flexibilidade das nossas opiniões nos momentos difíceis. Com um chute acidental derrubei o pequeno lixeiro que havia no meu quarto e o espelho riu de mim como se não me bastasse ficar me chamando de gorda todas as vezes em que eu o olhava. Meus cabelos desgrenhados denunciavam o desespero que minha expressão facial gritava, e minhas mãos voltavam a fuçar os locais que já haviam decorado. O fone de ouvido estava embaixo da calça avessada sobre a cama. A extenção elétrica remendada com fita adesiva de tanta queda que já tinha levado estava embaixo da cama, e o creme dental repousava tranquilo próximo ao material escolar. A solução obvia para o meu problema me vinha suave como marteladas na minha cabeça. Se eu queria encontrá-lo eu teria de arrumar meu quarto. Me sentei sobre a pouca superfície limpa da minha cama, quase conformada com o meu destino trágico quando um lapso de memória levou minha mão direto para o bolso esquerdo lateral da minha mochila escolar. O celular me encarava como se nunca houvesse saído dali, cínico, como se em todo aquele tempo não tivesse brincado de esconde-esconde comigo contra a minha vontade. Eu o jogaria na parede se a mensagem a minha espera pudesse esperar mais um pouquinho, mas os sms realmente são impacientes...

domingo, 17 de maio de 2015

Do que é feito o teu sorriso?




Meu sorriso é feito de dias cheios, rotinas fechadas, o vento na cara, jogadas de cabelo. É feito de se jogar na cama depois do culto, de falar com o namorado pelo celular, de ver as luzes do céu que talvez nem estejam mais lá. É feito de cheiro de shampoo, de gloss de morango, de post de ultima hora, de saudades do meu irmão mais novo, de vontades engraçadas, orações e sonhos estranhos. Esmalte desbotado, vídeos confortáveis, Bíblia. Meu sorriso é feito de paz. E o teu, é feito de que?

sábado, 16 de maio de 2015

Memorando



Percebi esses dias que tenho interpretado a felicidade da forma errada. Tenho vivido mais pra crítica e menos pro amor. Tenho anciado mais pela aceitação do que pela autênticidade, cobrança de não errar no lugar do desfrute de fazer o bem, o ciclo interminável da rotina todos os dias ao invés da sensação de estar fazendo do jeito certo. Acho que não está certo mesmo. Parar e respirar se tornou crime? Quanto tempo eu dormi, que não percebi? Eu sei que não será a ultima vez, por quê não foi a primeira. Então... Eu do futuro, se estiver lendo isso, fica o lembrete: Quando a neura agarrar no teu pé e quiser te arrastar pro fundo do poço, dá uma sacudida, tira o pó de cima do prazer de viver e o mundo dos ombros. Muda a batida do teu dia, segue um rítmo diferente, joga a opinião de todo mundo pra cima, reinventa a lista de prioridades e coloca Deus no topo, olha pro reflexo no espelho, dá uma de doida e diz pra você mesma que a vida não precisa da sua ajuda pra ser complicada, por isso se faz um favor e descomplica!

(Ariel Almeida)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Pessoas ocupadas dormem tarde



Eu abro os olhos e eles voltam a fechar, sozinhos. De fato, não quero que fiquem abertos. Assim é mais seguro, é mais tranquilo. A luz incomoda, as cenas do dia a dia traumatizam, a movimentação dá dor de cabeça. Por que não viver no mundo dentro da minha cabeça onde está tudo sobre controle? O despertador chama pela terceira vez, o mundo precisa ser socorrido de novo. Não o mundo de todos, o meu mundo. Com testes escolares, deveres, pessoas para amar e os prazeres da vida com Cristo. Igual ao dia anterior, igual a todos os dias. "Será um dia abençoado, vamos lá, uma tentativa" minha consciência sussurra baixinho enquanto meu travesseiro grita que precisa de mim. Não é uma batalha justa.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Limites da arte - desenhos com água




Um rio na janela ao lado da minha banca, na escola. Um rio cheio de afluentes, que nascia de cima (só de vez em quando), e não desaguou no mar.

(fotos by Ariel Almeida)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Para o sonhador



Não estranhe o meu amor, oh, meu amante
Que é feito de prosa e não de rima
Que caminha se você flutua acima
Nesses teus sonhos tão bons, feitos de nuvens

Amor, gosto deste infinito instante
prever um futuro lindo não me basta
pois meus sonhos só são feitos de estrada
De firmar o pé no chão e ir adiante!

Sim, eu amo esses teus olhos de infante
Que de longe brilham tanto que fascina
Mas mudar é necessário, a vida ensina
Mais à nós que somos hoje mais que homens.

Nesse passo é que se chega ao distante
Que hoje é sonho e amanhã já é certeza
Muito mais do que se cabe á natureza
Nós em um e não mais dois como era antes.

(Ariel Almeida)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

*boceja* cinco coisas pra fazer quando se está entediado/com sono, não quer dormir e não tem nada pra fazer no computador fuleiro que você tem

E ai gente entediada/sonolenta/tranquila que por acaso abriu esta página. Perdoem se esse post for extremamente leso, eu estou com SONO. Hoje eu vou falar sobre coisas pra fazer quando você está entediado/com sono no computador e não quer ir dormir.

Pinterest

1 - Tente ficar famoso de alguma maneira

Pode parecer trabalhoso, mas tentar ficar famoso é muito eficaz em distrair mesmo quando você já é ou tem certeza que não vai conseguir. Invente um blog e coloque nele tudo que você acha que presta dentre as coisas que você faz, fique pensando em muitos tweets ou status do Facebook que podem ser impactantes o suficiente pra receberem retweets ou curtidas, crie um Tumblr e siga pessoas aleatórias, ou vista-se de forma estranha e tire fotos.

2 - Seja outra pessoa

Ser outra pessoa não é algo fácil, mas a parte de inventar tudo a respeito dela é extremamente divertido. Faça um e-mail pra ela, invente hobbies e personalidade. Imagine uma aparência pra essa pessoa e diga que ela não gosta de Marcelo Camelo e ouve Rock Gospel. Então seja esta pessoa, tente confundir quem já te conhece, e tome cuidado pra não machucar ninguém que não te conhece. Só não vale gostar mais de ser seu outro você do que o você verdadeiro.

3 - Explore o mundo da escrita

Todo mundo já tentou fazer textos algum dia, seja um poema pra escola, ou um projeto de livro, ou um conto que a professora pediu, ou uma crítica de algum filme, ou um bate-papo cheio de falas e talvez nada mais, ou talvez eu esteja errada. Só que este tópico ainda é válido: Abra o Word e faça lá tudo o que você conseguir fazer, se esforçando pra dar certo. Ou então, se realmente não for contigo escrever, tente entender por quê aquela sua amiga calada não consegue parar de ler e procure uma boa estória de Ficção ou blogs que combinem com seus gostos. Toma tempo e de repente você acaba gostando.

4 - Abra o Facebook e fale com várias pessoas ao mesmo tempo

Com certeza vai acabar com o seu tédio se forem as pessoas certas. Abra três que você não conhece e 2 que você não fala com frequência mas que são legais. Ainda escolha um amigão pra ficar tirando onda com você ou então faça suas próprias misturas. A intenção é não parar de digitar!

5 - Em último caso, jogue!

Existem vários jogos que rodam em computadores lerdos, e muito mais em computadores legais. Baixe algo que corresponda aos seus gostos ou então explore os sites de games online. Existem também os MMORPGs que você consegue por download ou os de browser mesmo, mas esses eu só recomendo pra quem tiver com tempo, por quê eles viciam de verdade. Quem quiser uma lista de bons jogos pra tirar do tédio é só pedir pelos comentários u.u

Espero que não tenha ficado muito péssimo, por que eu estou quase dando de cara no teclado de tanto sonauoihaoduhafglkj´p, 

Good Night, viciados em computador!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Máquina-homem

day one hundred and eight. | Flickr: Intercambio de fotos

 Não, não, você não merece. Não merece sequer uma dessas lágrimas que eu derramei e estou derramando enquanto não secam. Você me fez acreditar que era importante e agora só o que parece importar é uma solução pra sair desse labirinto, solução que eu não encontro.
 Todos, todos vocês só sabem brincar, mas talvez a errada seja eu, e talvez o erro seja dar valor á coisas sem importância, o valor tirado das coisas e pessoas que o merecem pra ser entregue ao nada. Nada, nada, vocês são nada, mas conseguem ser tudo quando outra vez eu me recolho ao lençol e as almofadas, e meu mundo se pinta de branco.
 É engraçado de verdade como meu cérebro consegue entrar em modo de espera quando vocês sobrecarregam minha memória interna com lembranças e desejos confusos, Pensamentos inconclusos, como se meu processador já não fosse lento o suficiente. Eu nem consigo instalar um photoshop pra disfarçar os erros das minhas imagens mentais! Eu que não sou atual, eu que não sou portátil, eu que não sou descartável como tudo é hoje, mas de idiota acabo tentando ser (e outra vez o erro está em mim).
 De repente me recordo da solução, mas então minha língua some, minha mente some, minha racionalidade some e contatar o Técnico se torna cada vez mais difícil... Eu começo a pensar que não vale a pena pra uma máquina velha e inútil como eu, que foi feita ontem, mas já está ultrapassada.
 A esperança pois, não habita em mim, mas no grande Técnico da máquina-homem, que no amor ao seu emprego tão mal pago, ouve as engrenagens ruindo e gentilmente cobre-nos de óleo sem cobrar.

- Ariel Almeida

sábado, 24 de agosto de 2013

Poeminhas preguiçosos

                                                    

Prainha

Onda que quebra
A linha do mar...
Sopra espuma, meu caminhar

(By Ariel Almeida)

Presente

No rio dos sonhos banhei
O fio que teceu as estrelas.
Nervosa, desisti de te dar.

(By Ariel Almeida)


Expirar

Sorriu. Foice! Partiu...
Fugiu toda vida
E com meu riso sumiu.

(By Ariel Almeida)

domingo, 10 de abril de 2011

Comadre Alma





E agora, quem será?
Depois de tantas... Por que não ela?
Ela que em palavras (escritas, jamais ditas)
Se derramava, se dava inteira.

Aparências que tanto importam,
Pra que á servem?
Pois se a beleza está nos “olhos-janelas-da-alma”
Ela os abrirá umas para as outras, e fechará para todo o resto.
E assim as comadres almas se debruçarão nos parapeitos
Para conversar um pouco mais.

Até que se calem,
E só as janelas conversem no seu dialeto intraduzível.
As comadres almas sorrirão,
E num despertar imprevisível,
Suas raízes falantes se encontrarão, sob o solo,
Num protesto de existência.

E num laço imensurávelmente forte,
Explosões interiores fecharão as janelas,
Enquanto as comadres almas suspirarão, apaixonadas.

Até que as janelas se abram novamente,
E encarando o vazio do teto,
Percebam que tudo não passou de um sonho.
Percebam que a comadre alma é só mais uma boba,
Cega pelo amor que a mata aos poucos.

E a destinada á isso tudo (que não ela)
Será alguém com bem menos á dar,
Alguém que não sabe sonhar, como comadre alma sonha.
Porém com raízes que falam,
Falam coisas que as janelas da comadre alma
Já não podem falar em seu dialeto intraduzível.

Seria bom (acordar)



Seria bom acordar com raios de sol (azuis),
Marcar as horas (do trem),
Soar o som (que vem),
Moer a via (da luz).

Seria bom acordar as estrelas (com sinos),
Morrer (de sinas),
Viver (de rimas),
Molhar os olhos (aos domingos).

Seria bom a-cor-dar (novos montes),
Libertar (próprios veres),
Desmontar (outros seres),
Alcançar (horizontes).

Seria bom (acordar),
Seria bom (a cor dar)...
Seria bom.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

eu-em-meu SER



Eu sinto, eu pinto,
Eu vejo, eu perco,
Eu erro, me alegro,
Imito, e minto...
Sou humana, vivo!

Eu amo, apaixono,
Eu vejo, Eu desejo,
Sinto dor, sinto medo.
Sou ao vento, coração de pano.
Rasgo fácil, enfrento enganos.
Sou poeta, vivo!

Sou desenho, Sou poema,
Sou papel, caneta e pena.
Sou nuvem, Sou reflexo,
Sou miragem, sou anexo,
Sou milênio, sou silêncio.
Vivo, e em fim
Sal - Dade.

Por Ariel Almeida