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domingo, 22 de maio de 2016
Desenfurno
Gosto de viver apegada a uma subjetividade que me deixa confortável, que me abraça e aceita tudo que eu digo, mas nesses dias desenfurnei. Não que tenha resolvido fazer isso de bom grado, na verdade aconteceu sem aviso prévio a mim mesma. As coisas agora parecem muito mais físicas, existentes, materiais, palpáveis, e não consigo me decidir se isso é bom ou se está me matando. Eu sempre reclamei à meus botões que não tinha um bom controle da minha vida, que sentia ela escorrer pra longe sem que eu pudesse fazer nada, mas agora que eu sei exatamente o que tenho sido, não pareço tão feliz quanto pensava que estaria. Não sei se você pode entender e acho que não, mas já parou pra pensar em como sempre estamos insatisfeitos com o que a gente tem? Sempre dispostos a dizer que a vida é uma merda, sempre ansiosos em diagnosticar algo em nós mesmos e nos outros pra nos agarrarmos a rótulos que nos deem uma falsa sensação de segurança quando a verdade é que a segurança não há, nunca houve. O que há é essa nossa loucura de não saber amar sem dominar, sem dizer a hora de voltar, sem precisar transformar tudo em objeto. Vivemos no medo e nos alimentamos dele, não sabemos fazer de outra forma por que temos medo de tentar, e quanto mais esclarecido você se acha, mais medo você produz e consome. Acho que foi por isso que desenfurnei... Ou será que sempre fui desenfurnada?
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Bagunça
No blog do meu pai tem uma coleção de "1ºs de agosto" que de vez em quando eu visito. Choro toda vez. Procuro não passear muito pelas outras postagens (as vezes tem mulher pelada ou semi-nua), mas essa coleção eu amo. Não faz muito tempo que eu venho fazendo isso, e me sinto culpada, com aquela sensação de ter perdido algo valioso. Foi tempo que eu perdi, e só agora eu vejo que ele estava certo sobre tantas coisas, sendo esta uma delas. "Não somos pra sempre, filha. Gente da tua idade acha que é imortal". Verdade pai, o tempo voa, e a gente não quer perceber que a vida é uma corrida. Mas eu percebi e só queria que o senhor soubesse que cada vez que eu vou ver esta tua coleção eu choro de saudade. Saudade do tempo que as coisas eram (ou pareciam) simples, choro porque quero voltar pra quando o tempo parecia infinito. Eu tinha tanta certeza que ainda nos veríamos milhares de vezes, nos abraçaríamos tanto quanto quiséssemos, mas foram tantos abraços que eu perdi, foi tanta burrada que eu cometi, o amor era o mesmo, mas por anos nosso contato foi esfriando, e eu choro por quê quero de volta todos esses abraços. Parece que eu pisquei e roubaram de mim tanta coisa! Ou pior, eu mesma me privei disso. Eu tô confusa pai, tá tudo acontecendo rápido demais. Eu queria que este texto fosse bonitinho, que a pontuação fosse perfeita, mas a emoção não deixa. Não vamos falar sobre isso, eu tenho medo, embora não saiba bem do que. Só obrigada por que, de verdade, do fundo do coração, você é o melhor pai do mundo, o melhor. E desculpa por não ter te abraçado tanto quanto devia, desculpa por que o tempo passa e continua passando sem que eu saiba administrar, desculpa, você merecia uma filha melhor, mas essa que o senhor tem te ama de verdade.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Complô
Meu quarto estava completamente revirado e minhas costas doiam. Portas abertas, amontoado de panos sobre a cama acompanhados de alguns papéis e meu mais novo pacote de absorventes. Minha escrivaninha, também com algumas roupas, sussurrava pra mim enquanto eu mexia em seus cadernos: "Obvio demais, obvio demais". Eu já estava acostumada a perder as coisas. Não fazia muito tempo desde que eu tinha perdido as aspas no teclado do meu tablet disfarçado de netbook, que á essa altura tentava me acalmar com a trilha sonora de algum desenho japonês do qual não me recordo o nome agora. a pagina pouco usada do editor de textos ainda me encarava e desafiava a escrever qualquer coisa que não se tratasse de um romance barato. Ai minhas costas! Se período menstrual tivesse gerações eu as amaldiçoaria naquele instante. Nada legal diante da postura que eu me obrigava a tomar, mas é mesmo incrível a flexibilidade das nossas opiniões nos momentos difíceis. Com um chute acidental derrubei o pequeno lixeiro que havia no meu quarto e o espelho riu de mim como se não me bastasse ficar me chamando de gorda todas as vezes em que eu o olhava. Meus cabelos desgrenhados denunciavam o desespero que minha expressão facial gritava, e minhas mãos voltavam a fuçar os locais que já haviam decorado. O fone de ouvido estava embaixo da calça avessada sobre a cama. A extenção elétrica remendada com fita adesiva de tanta queda que já tinha levado estava embaixo da cama, e o creme dental repousava tranquilo próximo ao material escolar. A solução obvia para o meu problema me vinha suave como marteladas na minha cabeça. Se eu queria encontrá-lo eu teria de arrumar meu quarto. Me sentei sobre a pouca superfície limpa da minha cama, quase conformada com o meu destino trágico quando um lapso de memória levou minha mão direto para o bolso esquerdo lateral da minha mochila escolar. O celular me encarava como se nunca houvesse saído dali, cínico, como se em todo aquele tempo não tivesse brincado de esconde-esconde comigo contra a minha vontade. Eu o jogaria na parede se a mensagem a minha espera pudesse esperar mais um pouquinho, mas os sms realmente são impacientes...
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