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terça-feira, 24 de maio de 2016

Ela pela Janela: Era mais do que parecia


Em meio aos outros, sentia-se num deserto. Gostava de sorrisos, gostava de vozes, gostava de abraços, mas não trocaria seus momentos de paz por nenhuma dessas coisas. A chuva do lado de fora empalidecia as luzes do mundo, mas do lado de dentro ela estava acesa como todas as palavras que aqueciam seu coração. Parecia triste, mas não estava. Parecia vazia, mas transbordava. Parecia sozinha, mas era mais do que parecia.

(Ariel Almeida)

domingo, 22 de maio de 2016

Desenfurno



Gosto de viver apegada a uma subjetividade que me deixa confortável, que me abraça e aceita tudo que eu digo, mas nesses dias desenfurnei. Não que tenha resolvido fazer isso de bom grado, na verdade aconteceu sem aviso prévio a mim mesma. As coisas agora parecem muito mais físicas, existentes, materiais, palpáveis, e não consigo me decidir se isso é bom ou se está me matando. Eu sempre reclamei à meus botões que não tinha um bom controle da minha vida, que sentia ela escorrer pra longe sem que eu pudesse fazer nada, mas agora que eu sei exatamente o que tenho sido, não pareço tão feliz quanto pensava que estaria. Não sei se você pode entender e acho que não, mas já parou pra pensar em como sempre estamos insatisfeitos com o que a gente tem? Sempre dispostos a dizer que a vida é uma merda, sempre ansiosos em diagnosticar algo em nós mesmos e nos outros pra nos agarrarmos a rótulos que nos deem uma falsa sensação de segurança quando a verdade é que a segurança não há, nunca houve. O que há é essa nossa loucura de não saber amar sem dominar, sem dizer a hora de voltar, sem precisar transformar tudo em objeto. Vivemos no medo e nos alimentamos dele, não sabemos fazer de outra forma por que temos medo de tentar, e quanto mais esclarecido você se acha, mais medo você produz e consome. Acho que foi por isso que desenfurnei... Ou será que sempre fui desenfurnada?

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Máquina-homem

day one hundred and eight. | Flickr: Intercambio de fotos

 Não, não, você não merece. Não merece sequer uma dessas lágrimas que eu derramei e estou derramando enquanto não secam. Você me fez acreditar que era importante e agora só o que parece importar é uma solução pra sair desse labirinto, solução que eu não encontro.
 Todos, todos vocês só sabem brincar, mas talvez a errada seja eu, e talvez o erro seja dar valor á coisas sem importância, o valor tirado das coisas e pessoas que o merecem pra ser entregue ao nada. Nada, nada, vocês são nada, mas conseguem ser tudo quando outra vez eu me recolho ao lençol e as almofadas, e meu mundo se pinta de branco.
 É engraçado de verdade como meu cérebro consegue entrar em modo de espera quando vocês sobrecarregam minha memória interna com lembranças e desejos confusos, Pensamentos inconclusos, como se meu processador já não fosse lento o suficiente. Eu nem consigo instalar um photoshop pra disfarçar os erros das minhas imagens mentais! Eu que não sou atual, eu que não sou portátil, eu que não sou descartável como tudo é hoje, mas de idiota acabo tentando ser (e outra vez o erro está em mim).
 De repente me recordo da solução, mas então minha língua some, minha mente some, minha racionalidade some e contatar o Técnico se torna cada vez mais difícil... Eu começo a pensar que não vale a pena pra uma máquina velha e inútil como eu, que foi feita ontem, mas já está ultrapassada.
 A esperança pois, não habita em mim, mas no grande Técnico da máquina-homem, que no amor ao seu emprego tão mal pago, ouve as engrenagens ruindo e gentilmente cobre-nos de óleo sem cobrar.

- Ariel Almeida